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Após vitória, PSL já articula para eleições municipais de 2020


Partido de Bolsonaro quer lançar nomes próprios para disputar as prefeituras do Rio e de São Paulo


Por O Globo - O Partido que mais elegeu deputados federais no estado e dono da maior bancada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a partir do próximo ano, o PSL de Jair Bolsonaro já se articula para lançar candidatura própria para prefeito do Rio em 2020. O partido também faz planos para as eleições municipais de São Paulo.

Atualmente, o PSL não tem nenhum vereador na Câmara do Rio. O capital político conquistado após a eleição presidencial, no entanto, faz com que observadores enxerguem o partido com musculatura para repetir a forte votação no município. No Rio, Bolsonaro teve 66% dos votos válidos no segundo turno, contra 34% de Fernando Haddad (PT).

Na capital paulista, o partido de Bolsonaro não tem sequer diretório em funcionamento, mas, empurrado pela vitória do presidente eleito, faz planos de regularizar a estrutura partidária na cidade e expandir sua rede pelo estado.
— Sabemos que o PSL tem condição de ser protagonista na capital — diz o deputado estadual eleito pelo Rio Rodrigo Amorim (PSL), dono da maior votação no estado, com mais de 140 mil votos, e protagonista de uma das cenas mais polêmicas da campanha: a imagem em que quebrava a placa com o nome da vereadora Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março.
Próximo ao deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Amorim é um dos cotados para se lançar à prefeitura em 2020. Atualmente, ele articula sua candidatura à presidência da Alerj. Gustavo Bebianno, que presidiu o PSL durante as eleições deste ano, é outro nome ventilado para a disputa na capital. Ele foi peça central na coordenação da campanha de Jair Bolsonaro.
— Possivelmente o candidato será um parlamentar que esteja se destacando. Eu me coloco como um soldado disciplinado de Flávio Bolsonaro, e um membro do PSL pronto para as batalhas — afirma Amorim. — Não vamos fugir de responsabilidade, não. Temos bons nomes, o Flávio terá a sabedoria de orientar.

Direções provisórias

Em São Paulo, atualmente a sigla tem diretório em 189 dos 645 municípios. A maioria deles está sendo comandada por direções provisórias e não há, por enquanto, previsão para eleições internas. Mesmo assim, o deputado federal e senador eleito Major Olímpio (PSL-SP), presidente do PSL paulista, não economiza nas expectativas para as eleições municipais.
— Quando assumimos em março a direção do PSL o partido não tinha nem sede para o diretório estadual. Até o final de novembro de 2019 estamos impedidos de receber a cota do fundo partidário porque a direção antiga não prestou contas, e colocou o partido em situação irregular. Estamos num esforço para regularizar o partido e nos prepararmos para um desempenho forte no estado em 2020 — afirmou o Major Olímpio.
O PSL não tem nenhuma representação no Executivo ou Legislativo na cidade, mas elegeu agora a maior bancada de deputados estaduais (15) da Assembleia Legislativa e nove deputados federais por São Paulo.
— Nem no melhor dos nossos sonhos imaginávamos ter o desempenho que tivemos — avaliou Olímpio.
Os nomes cotados hoje no PSL para disputar a prefeitura paulistana são os das deputadas mais votadas do país: Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e eleita para a Assembleia Legislativa, e Joice Hasselmann, que garantiu, em sua estreia, uma cadeira na Câmara dos Deputados.
O próprio Major Olímpio é lembrado para a vaga, mas ele nega interesse em se lançar em 2020, apontando um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo, como opção. A Constituição, entretanto, só permite que parentes de chefes do Executivo disputem a reeleição para cargos eletivos que já ocupam.

Novidade eleitoral

Também apontado como novidade eleitoral de 2018, o partido Novo também tem planos ambiciosos para 2020 na capital paulista. Em 2016, quando estreou, o partido elegeu um vereador. Desta vez, a meta é não só ampliar a representação na Câmara Municipal como lançar, pela primeira vez, um candidato a prefeito.
— Vamos fazer todo esse planejamento para as eleições municipais até o fim do ano. É certo que o partido será muito mais ambicioso do que fomos na eleição passada — explicou o presidente do Novo em São Paulo, Fernando Meira.

O partido pretende mapear ainda este ano as cidades que considera estratégicas para lançar candidatura a prefeito e, assim, estruturar diretórios do partido nessas cidades.
— Nosso limitador será o financeiro. Administramos o partido como uma empresa, e o tamanho dessa expansão vai depender exclusivamente dos recursos que tivermos disponíveis — diz Meira, reafirmando o compromisso da sigla de usar dinheiro do fundo partidário para se financiar.
O partido é menor que o PSL em São Paulo, com sede apenas na capital paulista. Em 2018, ele elegeu quatro deputados estaduais e três federais. Hoje não tem nenhum representante nas duas casas legislativas.

Partidos tradicionais

No Rio e em São Paulo, os partidos tradicionais também começaram a projetar cenários para 2020. O PT pensa nos ex-ministros Aloizio Mercadante e Alexandre Padilha. Hoje a prefeitura paulistana é administrada pelo PSDB do prefeito Bruno Covas, candidato natural à reeleição.
No Rio, o PSOL, que terá a segunda maior bancada na Alerj (cinco parlamentares, mesmo número do MDB), tenta se posicionar como protagonista de uma frente de esquerda. A ideia é unificar partidos como PT, PDT, PSB e PCdoB em torno de uma única candidatura. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que se elegeu deputado federal com a segunda maior votação do estado, é visto como um nome forte.
Já o DEM, cujo candidato a governador, o ex-prefeito Eduardo Paes, venceu na cidade do Rio, avalia ter cacife para lançar nome próprio, mas ainda é incerto qual será.
Esses partidos devem disputar com o prefeito Marcelo Crivella (PRB), que deve tentar a reeleição.

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