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Máfia oferece 70 mil dólares pela morte de cadela farejadora na Colômbia



A cadela Sombra, pastor alemão fêmea de seis anos, está sendo ameaçada de morte por traficantes na Colômbia, informou hoje (2) a imprensa local. Uma recompensa de 70.000 dólares (R$ 260 mil) foi oferecida pela cabeça do animal, que é um dos principais cães farejadores da polícia colombiana e já conseguiu interceptar nove toneladas de cocaína em seus cinco anos de atividade.



Como medida de segurança, as autoridades decidiram transferir a cadela para Bogotá e manter a localização do seu canil em segredo. “Não só Sombra tem sido ameaçada, mas muitos cães na polícia, diariamente, estão sofrendo ameaças”, explica Jeison Cardona, instrutor canino da escola policial de adestramento do município de Facatativa, no centro do país.
O pastor alemão tornou-se o pesadelo do poderoso clã do Golfo, a maior organização de tráfico de drogas da Colômbia e principal exportador de cocaína para os Estados Unidos no mundo.
A história da Sombra com o grupo armado remonta a 2016, quando ela descobriu 2,9 toneladas de cocaína no porto de Urabá, no noroeste, escondidas em um “contêiner carregado de banana” com destino a Antuérpia, na Bélgica. No ano seguinte, em maio, ela encontrou mais 1,1 tonelada de cocaína escondida em polpa de frutas em um depósito na cidade caribenha de Santa Marta.
Os membros da máfia chegaram a tentar subornar um policial com cerca de 7.000 dólares para que ele entregasse a cadela, sem sucesso. “Por precaução, decidimos transferi-la, levando em conta os indícios de ameaça do clã do Golfo”, indicou o coronel Tito Castellanos, vice-diretor da polícia antinarcóticos.
Até agora, em 2018, os 346 cães policiais colombianos interceptaram carregamentos que somam cerca de 200 toneladas de todos os tipos de drogas, retirando 5 bilhões de dólares do tráfico, de acordo com dados oficiais.

Brincadeira

Em Bogotá, ela é responsável por verificar as cargas de envio no aeroporto internacional da cidade. Seu expediente é de oito horas, com um intervalo de duas. Depois, ela segue para um canil cuja localização permanece em segredo, por medidas de segurança.
De cada 100 cães, apenas cinco possuem habilidades para atuar como agente antinarcóticos. Os escolhidos se especializam na detecção de cocaína ou drogas sintéticas e alguns até desenvolvem olfato capaz de atravessar o aço.
Para os cães, “procurar drogas é uma brincadeira”, explica Rojas. Quando Sombra detecta algo suspeito, por exemplo, recebe como prêmio uma bola para brincar. Ela “se sobressai porque desenvolveu um pouco mais o seu olfato” na busca de cocaína, afirma com orgulho seu cuidador.
Além disso, distingui-se por sua coragem. Para cumprir seu trabalho, a cadela não tem medo de entrar na selva ou em barcos suspeitos, além de ser carismática em frente às câmeras de televisão.
Há relatos de cães que já foram mortos na Colômbia enquanto faziam buscas por plantações de drogas, detectando os explosivos com os quais os criminosos tentam proteger os locais. O número de casos é mantido em segredo. A maioria deles é resultado da detonação dos dispositivos ou de franco-atiradores.
“Quando o cão senta para apontar que há uma carga explosiva, os criminosos ativam o explosivo”, afirma o coronel Carlos Villarreal, chefe de treinamento canino da polícia.
Os traficantes de drogas, por sua vez, também recorreram ao olfato dos cães para testar a camuflagem de seus carregamentos. Eles chegaram ao ponto de “contaminar a droga com urina de leão” para afugentar as fêmeas ou os machos treinados pela polícia, segundo o coronel Villarreal.
Sombra tem mais dois anos de trabalho antes de se aposentar e ir para uma casa em Guaymaral, uma área rural ao norte de Bogotá, onde são levados os cães que trabalharam com as autoridades.

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