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Empresa supostamente usada pelo PCdoB movimentou quase R$ 3 milhões



A empresa Aldo Oberdan Pereira Montenegro-ME, a Aldoimagem, que segundo o Partido Republicano Progressista (PRP) pode ter sido usada pelo PCdoB na campanha eleitoral de 2014 para lavagem de dinheiro, registrou quase R$ 3 milhões em movimentação na sua conta entre os anos de 2014 e 2016, período em que a organização estava sob o comando de Carlos Alberto Miranda.

Empresa supostamente usada pelo PCdoB movimentou quase R$ 3 milhões


No período, Miranda - que possui ligação com o ex-secretário de Estado de Comunicação e Assuntos Políticos e ex-presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry -, era o representante legal da empresa, após ter adquirido uma procuração do empresário Aldo Oberdan, proprietário da produtora.

Ao todo, a empresa recebeu por meio de “crédito em conta”, “transferência on-line”, “depósito on-line” e “pagamentos de fornecedores” o equivalente a R$ 2.917.159,05. O Estado teve acesso a todos os extratos. Os documentos bancários, contudo, não identificam a procedência dos recursos.

A empresa foi utilizada em 2014 pelo PCdoB, para atuar na produção de programas de rádio e TV direcionados à campanha do hoje governador Flávio Dino.

O PRP suspeita de que a movimentação vultuosa da empresa no período levantado, tenha sido para lavagem de dinheiro. De acordo com a sigla, a empresa não possui funcionários, estrutura ou demanda contratual que justifique a movimentação de quase R$ 3 milhões num período curto.

Denúncia – A suspeita de lavagem de dinheiro foi levantada pelo PRP – que formalizou denúncia à procuradora-geral da República, Raquel Dodge -, após verificar que no mesmo dia em que recebeu do PCdoB o montante de R$ 1,300 milhão, em 2014, o comitê de campanha de Flávio Dino pagou valor idêntico à empresa Aldo Oberdan Pinheiro Montenegro-ME oficialmente, por serviços de produção de programas de rádio, TV e vídeos.

Três anos depois o proprietário, Aldo Oberdan Montenegro, afirmou que passou a ser cobrado pelo Fisco pelo não pagamento de impostos. A partir daí descobriu que, naquela campanha de 2014, apesar de haver emitido uma nota fiscal de R$ 500 mil e outra de R$ 880 mil, a empresa dele só recebeu efetivamente em conta corrente R$ 500 mil. Há portanto, um desfalque ainda não esclarecido pelo PCdoB de R$ 880 mil.

“Na época eu não autorizei ninguém a movimentar a minha empresa através de campanha. Autorizei o Carlos [Miranda] a dar empresa pra ele pra trabalhar que ele já trabalhava na rua na divulgação de casamento, formatura, essas coisas, mas quando aconteceu isso não tinha ciência do grau de dificuldade que tava acontecendo ali. Quando eu soube disso tudinho que fui no banco, puxei tudinho, puxei as notas fiscais, o que aconteceu? Quero dizer pra vocês que eu não tenho responsabilidade nenhuma nisso, eu não autorizei isso. Embora eu tivesse autorizado a mexer na minha empresa, ele não me comunicou, não me fez uma comunicação, eu não tive participação em ganho nenhum até porque o dinheiro tá lá, entrou na conta e saiu”, afirmou.

O empreendedor afirmou que ainda busca esclarecimentos de Miranda sobre os valores movimentados por sua empresa durante a campanha eleitoral de 2014.

“A nota fiscal diz que ela foi endereçada ao PCdoB. Agora não sei qual foi a atividade dessa nota né. Se foi prestado algum serviço, se não foi, essa nota. Se ele entrou mesmo em forma de nota. Porque os 800 mil não passou na conta. Só entrou a nota fiscal foi feita, foi pago o imposto”, explicou.

Saiba Mais

Pouco mais de uma semana depois da vitória eleitoral do governador Flávio Dino em 2014, a empresa Alodoimagem recebeu mais de R$ 200 mil. Extratos da conta bancária da produtora a que O Estado teve acesso apontam que, depois gastar em apenas cinco dias os R$ 500 mil pagos pelo PCdoB no mês de agosto daquele ano, a empresa passou um mês e meio sem qualquer movimentação financeira. No dia 17 de outubro, no entanto - 12 dias após o primeiro turno da eleição de 2014 - houve quatro vultosos depósitos na conta corrente da Aldoimagem: um de R$ 52,5 mil, outro de R$ 40 mil, um terceiro de R$ 129 mil e o último de R$ 50 mil. Já no dia 20 do mesmo mês, mais R$ 15 mil. No total, foram R$ 286,5 mil creditados, sem qualquer identificação de origem, em apenas dois dias.

Márcio Jerry reage à denúncia de lavagem de dinheiro


O ex-presidente estadual do PCdoB e pré-candidato a deputado federal, Márcio Jerry, reagiu à denúncia formulada pelo PRP à Procuradoria-Geral da República contra o partido político e o governador Flávio Dino.

Por meio de nota, ele afirmou que as contas eleitorais de campanha do chefe do Executivo foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão e rechaçou a acusação de lavagem de dinheiro.

“Como já esclarecido a empresa foi contratada, prestou serviços, teve uma parte do pagamento efetuado e outra assumida como débito, tudo em conformidade com as leis; e com prestação de contas feita e aprovada”, afirmou.

Jerry também tentou desqualificar a denúncia, com a acusação de que trata-se de uma “armação política” de adversários. Ele afirma que há “acusações absurdas, mentiras e até insinuações criminosas”.

Apesar das ilações, não explica o destino de R$ 880 mil referentes à campanha de 2014, declaradas pelo PCdoB à Justiça Eleitoral, mas que não chegaram à conta da empresa Aldoimagem.


O ESTADO DO MARANHÃO


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