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Sergio Moro diz que a defesa de Lula está de brincadeira


Sergio Modo diz que a defesa de Lula, Cristiano Zanin, está de brincadeira

O juiz federal Sérgio Moro e o advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, tiveram uma ríspida discussão na tarde desta quarta-feira, durante audiência para um novo depoimento do empresário Marcelo Odebrecht no processo em que Lula é acusado de receber propina da Odebrecht através de um terreno em que seria construída a sede do Instituto Lula e o apartamento vizinho à residência do ex-presidente em São Bernardo do Campo.

Zanin e Moro discutiram sobre a necessidade do depoimento que, segundo Moro se fez necessária por novos questionamentos da defesa acerca de emails apresentados por Odebrecht ao processo. Zanin disse que não requereu o depoimento, mas Moro explicou que, como fez novas perguntas por escrito, o trâmite legal é o depoimento. Zanin disse que, como não teve acesso ao conteúdo na íntegra de todos e-mails trocados por Odebrecht, mas apenas das mensagens anexadas aos autos, o que inviabilizaria a audiência.

“A defesa apresentou perguntas específicas em relação a mensagens que constam nos autos. Essa audiência foi marcada a pedido da defesa. Então, a audiência vai ser realizada”, disse o juiz. Zanin respondeu que não requereu a audiência, “requeremos a verificação da autenticidade do material”. 

Moro disse que ao juntar perguntas, era necessária a nova audiência. Zanin negou e disse não ter perguntas, querendo apenas a verificação da autencidade dos e-mails.

“Eu não tenho perguntas porque não tive acesso à integralidade dos documentos”, o que irritou Moro. “Acho que aí é uma brincadeira da defesa. A defesa apresenta questões por escrito. Um acusado é ouvido oralmente, o juiz marca a audiência e, aí, a defesa vem e não quer fazer as perguntas”.

O advogado de Lula disse que sem o acesso à íntegra do material, não tem perguntas. “Isso é cerceamento de defesa. Vamos respeitar a Constituição no mínimo”, respondeu Zanin. “Isso é uma perda de tempo. Marcar uma audiência a pedido da defesa e a defesa não fazer perguntas”, retrucou Moro, que abriu a sessão mesmo assim.



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