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Secretário de Segurança do Maranhão diz a ‘canalhas de todos os naipes’ que não vai se ‘intimidar’

Portella foi citado em depoimento do soldado Fernando Paiva Moraes Júnior, preso preventivamente em operação que mira contrabando de armas, bebidas e cigarros na capital São Luís.


Em forte reação à acusação de que teria coagido investigado a mentir em delação, e em meio à semana da divulgação de documentos que mostram ordens para monitoramento de opositores pela Polícia, o Secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portella, fez desafios em suas redes sociais. 

“Aos CANALHAS de todos os naipes: A Polícia do Maranhão não se intimidará”.

Portella foi citado em depoimento do soldado Fernando Paiva Moraes Júnior, preso preventivamente em operação que mira contrabando de armas, bebidas e cigarros na capital São Luís.
O agente da PM afirmou que foi levado ao Ministério Público Federal, sem seus advogados, onde teria tido um encontro com o secretário. Durante a reunião, ele teria sido coagido a envolver o nome de um parlamentar nas investigações.
A defesa do soldado ainda moveu queixa-crime contra Portella.
Em sua conta pessoal de Facebook, Portella reagiu. “O Soldado Paiva, preso por integrar a Orcrim, agora se diz coagido a delatar seus comparsas. Será processado por mais um crime”.

“A maior ORCRIM dos últimos tempos, treme e trama com medo da prisão de outros integrantes. Serão todos presos”, prometeu.

Portella ainda diz que ‘a organização criminosa identificada e com alguns dos seus membros presos, trama contra o Ministério Público Federal e a SSP/MA’.
Crise.
O depoimento do soldado representa mais uma etapa de crise que se instaurou no alto escalão da Segurança Pública do Maranhão nesta semana. Na sexta-feira, 20, conforme publicou o Estado, foram revelados documentos internos da Polícia de Dino que revelam a existência de determinações para que todos os batalhões da PM espionassem opositores políticos no âmbito das eleições de 2018. O governador mandou demitir o coronel Antônio Markus da Silva Lima, chefe do Comando de Policiamento de Área de Barra do Corda foi exonerado e negou envolvimento no caso. O governo também afirma que o documento é ‘totalmente ilegal e foi anulado’.
COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO MARANHÃO
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão repudia o documento ilegal que foi enviado, sem conhecimento do Comando da PM, para identificação de lideranças políticas. O memorando é totalmente ilegal e já foi anulado por circular assinada pelo comandante da Polícia Militar.
A organização do policiamento das eleições será feita no momento correto, sob demanda e orientação do Tribunal Regional Eleitoral.
Uma sindicância foi aberta para definir os responsáveis pela ilegalidade e terá resultado em 30 dias. De imediato, os responsáveis pelo documento foram exonerados de suas funções.
A SSP enviou uma nova nota na noite deste domingo, 22.
A respeito da acusação feita pelo soldado Fernando Paiva Moraes Junior, preso por contrabando, a Secretaria de Segurança Pública, esclarece que:
1 – A acusação é mais um crime praticado pelo soldado, preso em flagrante por contrabando e já denunciado pelo Ministério Público Federal por participação de organização criminosa.
2 – Diferentemente do que diz o soldado, o secretário Jefferson Portela nunca participou das conversas sobre possível delação premiada, que se deram em acordo firmado na sede do Ministério Público Federal.
3 – O próprio MPF, desmentindo as inverdades ditas pelo acusado em juízo, veio a público esclarecer que participaram da reunião – que se estendeu por mais de oito horas – quatro procuradores federais, um defensor público da união e um delegado da Polícia Federal.
4 – O Ministério Público também afirmou que foi decisão do próprio soldado Fernando Paiva Moraes Junior desconstituir seus advogados naquela tarde e requerer o apoio da Defensoria Pública.
5 – Corroborando a afirmação do procurador Juraci Guimarães, as acusações mentirosas e sem qualquer razoabilidade feitas pelo policial militar e seu advogado visam tão somente conturbar as investigações.

Por Estadão Conteúdo


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