Últimas

Mulher vence batalha judicial para recuperar bens doados à Igreja Universal


O evangelho de Cristo liberta, cura, restaura e salva. Mas a mensagem passada em muitas igrejas hoje em dia vai de acordo com a necessidade do “cliente/fiel”. Gente que muitas vezes está em desespero, precisando de um milagre, ou apenas despertadas pela cobiça da promessa de uma barganha financeira com Deus. Uma espécie de toma lá, dá cá. Ideologia que nem de longe é o genuíno evangelho transformador que Cristo pregava.

Outros vão de boa fé, querendo apenas resolver os seus problemas, com o intuito de viver uma vida reta e prospera diante da vontade de Deus, mas caem no erro, também, de não conhecer, ler a Bíblia e se tornam presas fáceis para os falsos profetas do “comércio da fé”.



A gaúcha Carla Dalvitt estava com problemas financeiros quando começou a frequentar a Igreja Universal do Reino de Deus, onze anos atrás. A pequena loja que tinha com o marido estava com pouco movimento, e havia várias prestações para pagar – ela e o marido, João Henrique, tinham acabado de comprar um Palio para levar o filho pequeno dos dois à escola. O casal queria construir uma casa, mas, sem dinheiro, estava morando na residência dos pais dela.

Ao passar a frequentar as Igreja Universal, Carla diz que foi coagida pelos seus líderes a doar a ela tudo o que tinha e acabou ficando sem dinheiro, sem carro e mal falada na pequena cidade onde mora, Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul. A gaúcha diz ter sido vítima de uma lavagem cerebral.

Ela afirma que mudou de ideia logo em seguida, mas que a igreja se recusou a devolver sua doação. Foi quando decidiu entrar, ao lado do marido, com uma ação judicial contra a Universal pedindo de volta os valores dos bens e uma indenização por danos morais.

Em 2012, o grupo religioso foi condenado a pagar uma indenização de R$ 20 mil e devolver o valor de parte dos bens que a gaúcha diz ter doado. A igreja recorreu, e o caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), corte na qual o recurso da igreja foi negado em uma decisão na semana passada. Ainda cabem novos recursos.

Carla doou móveis, eletrodomésticos e jóias e outros objetos que sua mãe havia acabado de comprar. Tudo isso escondido da família.


"Eles diziam que você tinha que dar 10% de tudo o que você ganhava, e que tudo o que você desse, ia receber de volta”, conta. “O problema é que tinha um evento especial, a Fogueira Santa, onde as pessoas iam e doavam casa, carro. E eu não sei o que me deu… Eu estava desesperada.”

A Igreja Universal do Reino de Deus se defende dizendo que “o dízimo e todas as doações recebidas pela Universal seguem orientações bíblicas e legais, e são sempre totalmente voluntários e espontâneos”.

No processo, a Igreja Universal se defende dizendo que não há comprovação da doação de itens como as joias e o dinheiro do carro – o que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acatou. A entrega dos celulares, da impressora e dos aparelhos de ar condicionado, no entanto, foi comprovada, e o tribunal entendeu que se tratava de “coação moral irresistível” e “abuso de direito”, por isso estipulou a indenização.

A decisão foi confirmada pelo STJ na semana passada, mas a igreja ainda pode recorrer.

“Por sorte uma pessoa de bom coração em deu um emprego de vendedora e, aos poucos, eu foi reconstruindo. Antes teria dado também, mas eu estava desesperada e fui enganada. Quem abriu meus olhos foi o meu marido, ele me disse que Deus não ia colocar maldição em ninguém, que Deus não faz isso. E ele tem razão”, diz Carla.

Ela hoje diz acreditar em Deus – mas não ter mais nenhuma religião.


FONTE: BBC

PARA APRENDER E REFLETIR:


2ª Pedro, Cap. 2: 1-3 (Bíblia Sagrada)

1 – Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

2 – E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;

3 – Também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme;

Nenhum comentário