Últimas

Ex-delegado da PF envolvido em agiotagem no Maranhão


O ex-delegado da Polícia Federal (PF) Pedro Roberto Meireles Lopes foi a pessoa que teria fornecido informações sigilosas sobre operações da PF ocorridas entre os anos de 2009 a 2012 aos advogados Adaiah Martins Rodrigues Neto e Ronaldo Henrique Santos Ribeiro e a um dos mandantes da morte do jornalista e blogueiro Décio Sá, Gláucio Alencar Pontes de Carvalho, em troca de favorecimento econômico, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF). O valor da propina variava de R$ 10 mil a R$ 200 mil. A Justiça Federal já marcou a segunda audiência de instrução desse caso para o dia 3 de outubro. Será presidida pelo juiz da 2ª Vara Criminal, José Magno Linhares.

Nesse processo, constam como réus Pedro Meireles, Ronaldo Ribeiro, Gláucio Alencar e Adaiah Martins, que respondem pelo crime de quebra de sigilo financeiro. O Poder Judiciário arrolou, ainda, 21 testemunhas, entre acusação e defesa. A primeira audiência de instrução já ocorreu na última terça-feira, na sede da Justiça Federal, no bairro da Areinha, quando nove pessoas foram ouvidas pelo magistrado. Também está previsto o depoimento de sete testemunhas por meio de carta precatória, já que residem no interior do Maranhão.

Denúncia
Em relação à denúncia feita pelo MPF, durante a investigação do assassinato de Décio Sá, que ocorreu no dia 23 de abril de 2012, em um bar da Avenida Litorânea, no Calhau, feita pela Polícia Civil por meio da Operação Detonando, foi descoberta a existência de um esquema de agiotagem envolvendo 42 prefeituras do Maranhão. Esse esquema criminoso tinha como “cabeças” José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, José Alencar Miranda Carvalho e Gláucio Alencar.

A polícia constatou ainda que Ronaldo Ribeiro e Pedro Meireles também estariam envolvidos nessa ação ilegal. Ainda segundo a denúncia do MPF, mediante esse cenário, foi aberto inquérito pela Polícia Federal de número 183/2014 para apurar a ligação entre Pedro Meireles e os outros denunciados.

Durante a investigação, a direção da PF afastou Pedro Meireles de sua função ao descobrir que ele, em pelo menos duas incursões no Maranhão, repassou as informações para Ronaldo Ribeiro e Gláucio Alencar.

De posse das informações repassadas, os dois recorriam aos envolvidos e cobravam dinheiro. O montante recebido era dividido entre eles, incluindo Pedro Meireles. Um desses esquemas acabou no envolvimento de um deputado estadual do Maranhão, em 2010.

O outro trabalho vazado foi a operação Orthopera, em novembro de 2009, coordenada por Pedro Meireles, que tinha como objetivo cumprir 24 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. Esse cerco policial visava combater uma quadrilha que utilizava notas fiscais frias de empresas de fachada para justificar gastos feitos pela prefeitura de uma cidade do interior do Maranhão, na área de educação. O prejuízo aos cofres públicos teria sido de R$ 900 mil.

A operação Rapina V, no dia 22 de março de 2010, também teve informações repassadas para os criminosos. Nessa ação policial, duas pessoas foram presas na cidade de Cururupu. O objetivo era investigar denúncia relativa à má aplicação de recursos públicos destinados a esse município.

O Estado do Maranhão

Nenhum comentário