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Aparelho que mata bactérias não funciona em estações de tratamento de esgoto de São Luís

Os deputados estaduais Andrea Murad (PMDB), Edilázio Júnior (PV), Sousa Neto e Wellington do Curso (PP) fizeram ontem uma vistoria na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada no bairro Vinhais, em São Luís e confirmaram uma denúncia feita em agosto pela parlamentar do PMDB: nenhuma estação de tratamento da capital opera com o equipamento chamado “Ozonizador”, que seria responsável por matar as bactérias presentes no esgoto colhido em toda a cidade. 

A visita dos oposicionistas foi motivada justamente pelas suspeitas de de que a ETE não estaria funcionando em sua plenitude, resultando no lançamento de efluentes totalmente contaminados ao meio ambiente. Acompanhados de diretores e técnicos da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), os deputados percorreram as subestações de tratamento. Moradores da região também participaram da visita e denunciaram que convivem com um mau cheiro permanente.

OPORTUNIDADE DE TRABALHO INDEPENDENTE E BOA RENDA - São Luis do Maranhão

 “O odor é insuportável, entre outras coisas que também nos afetam, como o tráfego de veículos o tempo todo, com muita velocidade, e a poeira. Não podemos convidar ninguém para a nossa casa porque o odor é muito forte. Nós fizemos várias, onde nos foram passados períodos de melhorias, mas não mudou nada. A nossa saúde está e jogo e nossas casas desvalorizadas”, afirmou a moradora Denise Vidigal. O deputado Edilázio Júnior classificou a situação como de saúde pública, e acrescentou que a Caema precisa apontar soluções e medidas concretas a serem tomadas.

 “Que o Ministério Público também possa entrar nesse litígio e chegar a um denominador comum, porque é extremamente constrangedor para os moradores do Recanto dos Vinhais conviverem com esse odor”, completou. “Caso as denúncias que recebemos sejam confirmadas, acionaremos o Ministério Público para podermos ter a garantia do serviço público de qualidade da água do maranhense.

Estamos vindo in loco constatar, junto com os técnicos da Caema, para que eles mostrem os laudos que estamos solicitando e, partir daí, tomarmos as medidas cabíveis”, destacou o deputado Sousa Neto. 

Tratamento - O tratamento deveria ser feito através de três estações: a do Vinhais, inaugurada há cerca de um ano; a do Bacanga; e a do Jaracaty. Em agosto deste ano, a deputada Andrea Murad já havia constatado, por meio de amostras coletadas, que o processo de tratamento da ETE do Vinhais não atende aos padrões estabelecidos pela legislação.

 “Nada está funcionando. É situação grave em que está o Maranhão, o esgoto está precisando de uma atenção especial por parte do governo. Os moradores realmente não têm como ficar com um cheiro desse insuportável sem ter uma solução do governo. Nas grandes cidades e grandes metrópoles existe o tratamento para que esse cheiro não chegue a afetar tanto a população”, assinalou.

 O deputado Wellington do Curso disse que, após a vistoria, ficaram ainda alguns questionamentos, que serão levados à Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, ao Ministério Público e ao Governo do Estado. “Conforme a propaganda do Governo do Estado, há um número de tratamento de esgoto, de saneamento básico na nossa capital. Mas as informações são números inferiores e precisamos confrontar esses números. Inclusive solicitamos qual a forma de termos essa auditagem”, concluiu. 

Caema confirma que ozonizador não funciona, mas diz que elimina até 80% de bactérias O diretor de Meio Ambiente da Caema, João José Azevedo – um dos funcionários do órgão que acompanharam a visita dos deputados –, reconheceu que o tratamento na capital está acontecendo sem o Ozonizador, mas garantiu que isso não compromete a qualidade do processo, e que 80% do esgoto de São Luís é tratado. “O ozonizador foi adquirido, mas faltaram algumas peças que a fábrica não entregou no prazo. 

E as fábricas demoram a construir, pois são peças específicas, que ficaram de ser entregues até o mês de outubro. Até dezembro será montado o ozonizador, que vai fazer a desinfecção final dos efluentes”, garantiu o diretor de Meio Ambiente da Caema. A informação foi contestada pela deputada Andrea Murad. O coordenador de tratamento metropolitano da Caema, Afonso Alencar, declarou que “cem por cento do esgoto que entra na ETE Vinhais é tratado adequadamente”.

 "O tratamento biológico feito na estação faz que os efluentes [material gerado após o processo de limpeza] sejam despejados nos padrões da resolução Conama 430, com uma carga orgânica menor ou igual a que já está no meio ambiente", explica o químico sanitário. Ele acrescenta que o processo não reduz totalmente a cor e a turbidez do material tratado, mas que isso não interfere no resultado final. De acordo com Alencar, por meio do tratamento biológico é possível eliminar entre 70 a 80% do volume de bactérias do esgoto tratado – o que atende aos padrões exigidos. Isso significa que, no final do processo, ele não é mais esgoto.

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