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61 milhões de brasileiros estão com o nome sujo, recorde desde 2012

O país tem 61 milhões de pessoas com nome sujo na praça, segundo o birô de dados de crédito Serasa Experian. Trata-se de um novo recorde na série histórica da empresa, iniciada em 2012. 

Entre abril e maio, mais 900 mil pessoas atrasaram o pagamento de contas e foram incluídas na lista de devedores. O crescimento dos calotes acompanhou o desemprego e a queda da renda das famílias. 

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tinha 13,8 milhões de desempregados no trimestre encerrado em maio.

São incluídos no cadastro de inadimplentes do Serasa consumidores que não pagam dívidas como empréstimos pessoais, faturas do cartão de crédito e contas de luz e telefone, entre outras. Ao entrar na lista, essas pessoas deixam de ter acesso a crédito nos bancos e no varejo.

Somadas, as dívidas em atraso alcançaram R$ 274,6 bilhões em maio, de acordo com os cálculos do Serasa. Isso significa que, em média, cada pessoa deve R$ 4.059.

Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, afirma que, em média, cada devedor está em atraso com quatro credores diferentes —um banco e outras três empresas, entre concessionárias de serviços básicos e varejo, exemplifica.

Ele ressalta, no entanto, que a inadimplência costuma aumentar em março e maio. Em março, porque vencem tributos como IPTU e IPVA. Em maio, por causa das compras de presentes de Dia das Mães sem planejamento.

No ano passado, no entanto, o pico de inadimplência ocorreu em abril, quando 60 milhões de pessoas apareciam no cadastro de devedores.

Na semana passada, o Banco Central indicou que houve um repique na inadimplência das operações de crédito em maio, apesar da liberação do dinheiro de contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que deveria trazer alívio financeiro para os brasileiros.

Os calotes subiram nas linhas mais caras, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. No cheque especial, a inadimplência subiu de 15% para 15,5% em maio. No rotativo, foi de 34,4% para 38%, diz o BC.

A exceção foi o crédito com desconto em folha para funcionários públicos. Embora a linha conte com juros bem abaixo do mercado, os calotes tiveram leve alta de 2,3% para 2,5% no período. Uma possível explicação é a crise de Estados como o Rio, que têm pago com atraso os salários dos servidores públicos.


Mesmo com o dinheiro extra, Rabi avalia que a inadimplência só deverá se estabilizar no segundo semestre, quando se espera que a economia volte a gerar empregos com mais vigor.

De Folha de São Paulo - Economia

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