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Reportagem de 2010 do Jornal Nacional já mostrava que o triplex no Guarujá era de Lula


O ex-presidente nega dissimuladamente hoje, mas  quando os escândalos de corrupção já começavam a ser expostos em 2010, o Jornal Nacional mostrou abertamente que o triplex do Guarujá era propriedade do ex-presidente Lula, que estava sendo prejudicado pelo atraso na entrega das obras junto com outras pessoas que também compraram imóveis no mesmo prédio.

Segue a reportagem na integra



A lista de mutuários da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo tem um nome ilustre: o do presidente da República. Um apartamento triplex do presidente Lula está entre as obras não entregues pela Bancoop.

O apartamento novinho, com piscina e muito conforto, hoje, é motivo de tristeza para Dinalva. O condomínio com quatro torres deveria ser entregue em 2006, mas só duas estão prontas. A decoradora Dinalva Lombardi e os outros moradores que já tinham quitado o imóvel estão pagando mais R$ 25 mil para terminar a obra. O boleto chega todo mês, quem não aparece são os operários.

“A obras está parada novamente desde o fim de novembro de 2009”, contou.

O presidente Lula está entre os cooperados que não receberam imóveis, como revelaram nesta quinta os jornais O Globo e Folha de São Paulo. As reportagens informam que, ele e dona Marisa compraram um apartamento de cobertura triplex em um prédio de frente para o mar no Guarujá, litoral paulista.



A Bancoop não concluiu a obra e a passou para a construtora OAS, mas até hoje o prédio não foi entregue.

O Ministério Público afirma que os prédios pararam de ser construídos porque o dinheiro da Bancoop foi desviado para contas de diretores da cooperativa e para campanhas políticas do PT.

O depoimento de uma testemunha, que faz parte do inquérito e que é considerado fundamental pela promotoria, mostra como esse esquema funcionaria.


O técnico em edificações Helio Malheiros, irmão de Luís Eduardo Malheiro, ex-presidente da Bancoop morto em um acidente em 2004, foi ouvido em maio de 2008. No depoimento, ele disse que o irmão que, como presidente da Bancoop muitas vezes se via obrigado a entregar grandes somas de dinheiro para campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores, desviando recursos das construções dos apartamentos, e que isso tinha gerado prejuízos financeiros para a Bancoop.

Helio Malheiro, conclui o depoimento afirmando que João Vaccari Neto não só sabia do esquema criminoso como também fazia parte. A edição desta quinta do jornal O Globo, traz uma entrevista com o ex-chefe de segurança da Bancoop, Andy Roberto. Ele diz ter feito escolta de funcionários nos saques em dinheiro e que depois dos saques, o ex-presidente Luis Eduardo Malheiros realizava encontros com João Vaccari Neto.

O advogado de João Vaccari Neto rebateu as acusações. “Não procede. A Bancoop é uma cooperativa, não faz doações para campanhas políticas, para partidos políticos. A Bancoop não tem caixa dois, o Vaccari teve uma gestão absolutamente rigorosa no que diz respeito ao trato desses recursos”, ressaltou o advogado de Vaccari, Luiz Flávio D'urso.

Para o advogado da cooperativa ainda não há provas de irregularidades: “São depoimentos de pessoas que têm relação de profunda inimizade com a atual direção da cooperativa. Tanto isso é real, que o promotor jamais promoveu uma ação judicial contra a Bancoop e os seus dirigentes, embora esses depoimentos tenham sido já ha bastante tempo”, afirmou o advogado da Bancoop, Pedro Dallari.

“Nós não oferecemos a denúncia ainda por uma questão meramente formal. Ou seja, a necessidade de ouvir alguns diretores que supostamente estariam envolvidos no esquema para dar oportunidade que eles possam apresentar suas versões na delegacia de polícia e, na sequência, nós ofereceremos a denúncia junto a justiça criminal”, declarou o promotor José Carlos Blat.

O Palácio do Planalto não quis comentar o assunto.

Arquivo JORNAL NACIONAL 2010

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